Coluna as reflexões de enrico

"A importância de não ter pressa"

Emilly

20/07/2026

 "A importância de não ter pressa"
Desacelere hoje
Vivemos como se cada minuto fosse uma corrida. Mas a paz talvez comece exatamente quando deixamos de disputar o relógio.


Sou uma pessoa naturalmente ansioso. acordo pensando em tudo o que precisa ser feito, em tudo o que ainda não foi. já sou daquele tipo que quer resolver as coisas antes de você terminar de falar. e sabe o que descobri? que a pressa é uma forma de medo.

 

A pressa nos faz cometer erros. a pressa nos faz perder detalhes. a pressa nos faz chegar em lugar nenhum. porque quando você corre demais, o caminho vira um borrão. você chega, mas não sabe exatamente como chegou. não aproveitou nada. não viu nada. foi só sair do ponto a e chegar no ponto b.

 

Tem situações na vida que exigem pausa. conversas difíceis, decisões importantes, relacionamentos que precisam de cuidado. todas essas coisas têm um ritmo natural. quando a gente força, quebra. é tipo tentar consertar um relógio com um martelo. pode até fazer barulho, pode parecer que está funcionando, mas por dentro está tudo destruído.

 

Percebi que as pessoas que eu mais admiro, aquelas que parecem estar em paz com a própria vida, todas elas têm algo em comum: elas não têm pressa. elas caminham devagar. elas ouvem quando outras pessoas falam. elas leem os sinais. elas permitem que as coisas aconteçam no seu tempo.

 

Então aqui vai uma provocação: qual é a pressa? pra onde você está indo tão rápido assim? o que você está fugindo? porque, vou falar uma coisa que aprendi: a vida não se vive correndo. ela se vive respirando fundo, sentindo os pés no chão, abraçando as pessoas que amam, comendo devagar, dormindo bem, deixando o corpo descansar. a vida se vive parando.
 

@enricopierroofc

as reflexões de enrico

Emilly

27/01/2026

Título: A vida como fila: sempre tem alguém passando na sua frente sem
explicação


Chapéu: Sem senha, sem explicação


Subtítulo: Entre senhas que não chamam e ultrapassagens sem aviso —
seguir esperando.

 


Às vezes, eu acho que a vida é basicamente uma grande fila desorganizada.
Você está lá, quieto, esperando sua vez chegar, acreditando que finalmente vai dar
tudo certo, quando, do nada, alguém simplesmente passa na sua frente. Sem
explicação, sem desculpa, sem olhar para trás. E o pior é que você só aceita,
porque não tem energia para discutir. A vida te passa a perna e você agradece por
não ter sido pior.
A verdade é que a gente passa grande parte do tempo nessa posição
desconfortável de “quase”. Quase conseguindo, quase chegando, quase dando
certo. E, enquanto isso, sempre tem alguém que chegou depois e, de alguma forma
misteriosa, já está sendo atendido. Não por maldade, mas porque a vida funciona
nesse modo aleatório que ninguém entende. Parece um sistema de senha em que
você puxa 74 e o painel chama 12, depois 95, depois 3, depois 74, mas você estava
no banheiro.
No fundo, a gente vai engolindo essas pequenas injustiças cotidianas porque
escolher brigar por cada uma delas seria insustentável. Não dá para enfrentar a vida
o tempo inteiro. Às vezes, é melhor respirar fundo, ajustar a postura e continuar
esperando. Ou, pelo menos, tentando não enlouquecer no processo.
E eu sei que, em teoria, deveríamos exigir nossos direitos, questionar, reclamar,
bater o pé. Mas a maioria de nós está cansada demais para ser militante da própria
existência todos os dias. Então, a gente aceita. E segue. Não por submissão, mas
por pura falta de bateria emocional.
No fim das contas, a vida como fila é isso: um caos silencioso em que você tenta
manter a calma, tenta acreditar que sua vez vai chegar e tenta não surtar quando
alguém simplesmente brota na sua frente como se fosse personagem principal da
série e você fosse figurante.
Mas, de alguma forma, a gente vai. Sempre vai. Porque, mesmo quando nada
faz sentido, ainda existe aquela esperança boba (e teimosa) de que, em algum
momento, o painel vai chamar seu número. E você, finalmente, vai ser atendido.
@enricopierroofc


Natal, esse estranho alívio temporário

Emilly

24/12/2025



Todo ano chega dezembro e eu fico pensando como o Natal é uma data curiosa. Dizem
que é tempo de paz, união, amor. E talvez seja. Mas, sinceramente, também é tempo de
trânsito infernal, gente estressada no mercado brigando por uva passa como se fosse ouro,
panetone que custa o olho da cara, e aquela cobrança silenciosa que paira no ar: “você está
feliz o suficiente para o Natal?” como se fosse obrigatório apresentar um laudo de alegria na
ceia.
A verdade é que eu nunca chego no Natal do jeito que imaginei em janeiro. Ninguém
chega. A gente chega meio amassado, meio cansado, meio maltratado pela vida, tentando
lembrar onde enfiou a alma no meio de tanta sobrevivência. Mas o Natal tem essa
habilidade esquisita de fazer tudo parecer um pouco menos pesado. Talvez seja a comida.
Talvez sejam as luzes. Talvez seja o oxigênio temperado com uma esperança provisória,
dessas que vencem no dia 26.
O Natal sempre me pega desprevenido. É como se, no meio do caos, alguém
apertasse um botão invisível e você, do nada, percebesse que está respirando melhor. Que
está rindo de alguma bobagem. Que está pensando em quem você ama. Que está ali,
presente, mesmo que presença nunca tenha sido exatamente seu talento.
Eu gosto do Natal porque ele não exige que a gente esteja inteiro. Ele só pede que a
gente apareça. Com o que sobrou. Com o que a vida não conseguiu arrancar. Com as
perdas, com os ganhos, com as saudades que a gente finge que superou, com os afetos
que resistiram ao ano que tentou acabar com eles. Com a fé, a gigante, a minúscula ou
aquela que a gente usa só para não enlouquecer de vez.
No fundo, o Natal é isso: um lembrete gentil (e um pouco irônico) de que ainda existe
ternura possível no mundo. Uma chance de respirar antes da próxima batalha. Uma pausa
honesta, sem filtros, sem maquiagem emocional, sem essa expectativa absurda de que
tudo esteja funcionando. É só a gente, quem importa de verdade, uma mesa que pode ser
simples ou exagerada, e uma noite que insiste em sussurrar: calma. Você chegou até aqui.
E, considerando o ano que foi, isso é quase um milagre. E tem outra coisa que sempre me
incomoda: todo mundo virou especialista em Natal. Cada um com sua tese, sua tradição,
sua crítica pronta. Qualquer opinião vira campo minado; se você gosta demais, é brega; se
não gosta, é ingrato; se comemora, está errado; se não comemora, mais errado ainda. É
curioso como a gente consegue transformar até um feriado em um tribunal.
E, no meio desse ruído, a gente esquece o básico: essa data existe por causa de um
aniversário. Ou, pelo menos, porque marcaram esse dia para isso, já que historicamente
não bate muito com nada. E, mesmo assim, independente do calendário bagunçado, do
debate histórico e da loucura comercial que engole tudo, a essência continua ali, pequena,
quase tímida. A celebração de um nascimento. De um símbolo de esperança. De alguém
que, acreditando você ou não, representa a ideia de que a luz existe, mesmo quando a vida

insiste em parecer escura. E é engraçado como a gente consegue transformar até isso em
disputa, quando talvez o Natal fosse justamente o lembrete contrário.
Então, se eu puder te desejar algo neste Natal, é isso: que você encontre um canto
de paz no meio do barulho. Que você receba um abraço que realmente faça sentido. Que
você coma algo gostoso sem lembrar do boleto de janeiro. Que você entenda, nem que seja
por alguns minutos, que existir já é um esforço descomunal, e você fez isso o ano inteiro.
Feliz Natal.
Do jeito que der. Do jeito que você conseguir. Do jeito que for real para você.
@enricopierroofc

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