Ninguém ensina a voltar
Chapéu: E quando a gente se perde de si?
Voltar para si não é egoísmo — É sobrevivência. E também é
recomeço.

Ninguém ensina a voltar. A sair de um lugar que você nem viu que
entrou. A se reconhecer após meses (ou anos) sendo o que esperavam de
você. A perceber que, em algum ponto do caminho, você se perdeu de si e não
sabe mais onde foi parar.
Não tem manual para isso. Ninguém te diz que voltar para si pode doer
tanto quanto ir embora. Que vai ter culpa, medo, saudade do que você fingia
ser. Que mesmo as versões que te machucaram deixam um tipo estranho de
conforto. O conforto de saber quem você era, mesmo que aquilo fosse só um
rascunho mal feito.
Voltar é desconfortável. É abrir gavetas que você fechou com pressa. É
ouvir a própria voz após anos falando só o que o outro queria ouvir. É olhar no
espelho e não se reconhecer — mas, ainda assim, escolher ficar. Escolher se
esperar. Escolher se reconstruir, mesmo sem ter certeza se vai dar certo.
Ninguém fala que às vezes o caminho de volta é mais longo que a ida.
Que tem tropeço, tem recuo, tem dias em que parece que você está voltando
para lugar nenhum. Mas ainda assim, é para ir. É para continuar. Porque, lá na
frente, tem um ponto onde a dor desacelera. Onde o peso diminui. Onde a vida
começa a caber de novo no peito.
E talvez seja isso que signifique voltar: não ser quem você era antes,
mas ser quem você precisa ser agora. Com mais cuidado, com mais verdade,
com mais espaço para você habitar em paz dentro de si.
@enricopierroofc






Em um mundo cada vez mais barulhento, existe uma força silenciosa que
sustenta tudo: o amor de mãe.
Ela é mãe. Ponto. E isso já diz tanto que dispensa explicações. É quem segura
o mundo enquanto tudo desaba. Quem tem sempre uma resposta, ou, quando não
tem, inventa uma que nos acalma. Quem percebe no olhar o que a gente nem
consegue dizer. Quem sente antes. Quem pressente. Quem ama, mesmo quando a
gente esquece de merecer.
Mãe é essa figura que carrega na bolsa de tudo: documento, remédio, solução.
Carrega na memória o nosso tipo sanguíneo, na agenda os horários dos nossos
remédios, e no coração, tudo o que somos, mesmo quando não somos fáceis. E
vamos combinar: a gente nem sempre é.
Tem mãe que grita, que manda áudio gritando, que exagera no conselho. Tem
mãe que fala manso, que prefere um olhar demorado em vez de um sermão. Tem mãe
que é puro colo. E tem mãe que é empurrão, daqueles que fazem a gente voar mais
longe do que imaginava. Todas elas têm em comum uma força que não dá para
explicar. Um tipo de heroísmo silencioso que aparece no dia a dia, nas pequenas
coisas, nos detalhes que ninguém vê.
A verdade é que ser mãe não é sobre perfeição. É sobre presença. É sobre
fazer o possível, e, tantas vezes, o impossível também. É sobre amar mesmo
cansada, mesmo com medo, mesmo sem ter sido ensinada a amar assim. É sobre se
reinventar. Todos os dias.
Então, hoje, mais do que flores, mais do que presentes ou mensagens prontas,
a gente deseja que toda mãe se veja. Reconheça. Se abrace com orgulho. Porque o
que vocês fazem, o que vocês são… é grande demais para caber em palavras.
Feliz dia das mães. Vocês são o coração do mundo.
@enricopierroofc

